"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim." (Chico Xavier)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

'- A Carta...



Olá,tudo bem?Espero que sim...essa noite,como em tantas outras,eu não consegui dormir direito...tive um sonho com você.Não que você deva ou queira saber,essa não é a minha intenção,mais eu só quero falar,se é que você me permite.
No sonho eu te via sentada,olhando a chuva da janela do seu quarto.Mesmo sabendo que eu estava ali você não olhava pra trás,e muito menos me via,você só sentia minha presença.Enquanto a chuva caía lah fora você derramava muitas lágrimas,sem nem mesmo saber o porquê.
Sim, havia algo errado,e mesmo com toda a vontade que eu tinha de saber o que era eu nem mesmo consegui adivinhar,então,saí pela porta e fui pra casa.Chegando lah,começei a escrever e escrever compulsivamente.Escrevia cartas,poemas e frases que iam saindo de minha mente e se concentrando em um pedaço de papel rasgado de um caderno qualquer.Em cada palavra escrita eu colocava cada vez mais sentimentos meus,coisas que eu sentia ou que já senti algum dia,angústias,momentos...transformei pessoas e gestos em palavras de qualquer vocabulário.
O tempo foi passando e eu ainda pensando.No outro dia acordo bem cedo com a campainha tocando.Levantei rápido,troquei o pijama,desci as escadas com o rosto inchado,o rádio apresentava 10 horas da manhã e a campainha ainda fazia um barulho estridente.Atravessei o resto da casa até chegar o portão.
Eu te olhava assustada,afinal,você nunca tinha feito aquilo antes,aparecer sem avisar.O pior de tudo é que você parecia aflita.
Assim que atravessou o portão me deu um abraço tão forte que eu não pude nem me segurar,perdi o equilibrio durante segundos mas depois voltei ao normal.
Te convidei pra entrar mais você não quis.Estranhei a rua deserta e ficamos ali,sentadas na calçada,encostadas na parede,como se estivessemos esperando alguém passar.
Celular desligado,mp3 na mão,aquela calça de sempre e uma blusa azul,eu nem acreditava que era você realmente.A tanto tempo que eu não te via nem ouvia a sua voz,eu sentia tanta falta daquilo que eu nem fazia nada,só deixava o tempo passar lento...deixava o sol mostrar os seus traços e eu,como sempre,olhava para o nada com o coração desparado,assim como agora escrevendo essa carta.
Nós estavamos ali,lado a lado,você olhando pro chão fazendo com que seus longos cabelos combrissem seu rosto, e eu tentando imaginar os seus pensamentos.Talvez você tivesse se arrependido de ter ido me ver,talvez quizesse voltar pra sua casa ou sei lá.Não quis pensar nisso na hora.
Em dois movimentos você me olhou e esboçou um sorriso,aquele que eu sempre via constantemente, e pegou na minha mão que estava no chão.Ao sentir o calor da sua mão eu me arrepiei,senti o mesmo calor tomando conta de cada parte do meu corpo: mãos,braços,costas,pernas...a única parte que não foi consumida foi o meu peito,que ficou gélido durante todos aqueles segundos.
Ficamos ali naquele mesmo lugar durante horas,não nos movemos nenhum centímetro se quer.Em outro movimento você enconstou sua cabeça no meu ombro e ficou lá alguns minutos.Eu ainda consumida por aquele calor de antes te abraçei e ficamos mais algum tempo ali,sem dizer nada.Eu sabia que você precisava daquilo,de alguma forma você passava por alguma coisa que não era de prache,estava preocupada ou qualquer coisa assim.
Mais um movimento.Você esboçou outro sorriso e veio pra bem perto de mim,fechou os olhos e me deu um beijo demorado no rosto.Como eu senti saudades daqueles lábios..únicos e pra sempre memoráveis.Meu coração tornou a desparar como se fosse parar em algum momento,meu peito gelado anunciava que eu estava sem graça e amando aquilo...
De repente tudo foi ficando escuro e o ambiente foi ficando mais quente a cada segundo,mas você não saiu do meu lado.Continuei no seu abraço sentindo o seu corpo,fechei meus olhos,minhas mãos tocavam seus braços quentes e eu nunca imaginaria que aquilo aconteceria novamente...uma lágrima era despejada do meu rosto...abri os olhos e nada daquilo existia mais.
O que eu via agora era apenas a parede do meu quarto escuro.No quarto,flores em quadros,ursos,objetos pessoais e um guarda roupa faziam enfeite a tudo o que eu tinha.Eu me via olhando aquela parede fria e azul de cor do céu.Me via tbm abraçada ao meu objeto preferido como nunca havia feito antes,em nenhuma outra noite.
Eu também sentia a presença de alguém,alias,a falta de alguém.Olhava fixamente a parede como se algo fosse um enigma,com se algo fosse surgir da mesma e me abraçar, me deixar sem o fôlego que eu já não possuía.Mais isso não aconteceria...mesmo que quisesse muito que aquele momento se tornasse realmente verdade em algum dos outros dias que eu ainda iria viver.

domingo, 19 de julho de 2009

'- Breve descontrole...


Falo alto,me descontrolo,sou mais forte...
Crio coragem,corro riscos,desabafo...
Sento,choro,depois volto a sorrir...
Não tenho fome,não me canso,eu surto.

Deito,rolo,me ponho a voar...
Atravesso em alta velocidade,paro,ou volto a caminhar...
Embaralho,desperdiço,aproveito...
Não tenho medos,faço dos meus desejos realidade.

Me entrego aos prazeres mais ocultos,anceios...
Me vingo,me aceito,me faço feliz...
Sigo,imploro,ajoelho...
Não ouço nada além do que me convém.

Com o coração desparado,apertado,eu vou em frente...
Sem temer o dia de amanhã,nem lembrar o anterior...
Garganta molhada, olhos secos,assim que deve ser...
Os dias passam,as noites correm,e eu aqui,a sua mercê.

sábado, 18 de julho de 2009

'- Pensamentos



As pessoas se tornam diferentes, únicas, belas e incondicionalmente incríveis, dependendo dos olhos de quem as vê. E eu me vejo tão diferente, tão mudada, inconstante...eu percebo.
Estou cansada, porém estou livre. Sinto saudades, sinto desejo. Desejo de tudo o que eu não posso ter, e o que eu posso ter já não é o bastante, como para todo o mundo.
Quero voar com os pés no chão, quero engatinhar com asas, quero ter a sede de todo o ser humano e a fome de uma criança.
Quero amadurecer os pensamentos, as ilusões, os sentimentos, os desejos, amadurecer meus sentidos.
Talvez todas estas palavras sejam deveras desnecessárias e os pensamentos, perfeitos demais. Os sonhos já não são os mesmos, as pegadas já são muito profundas e o rastro é constante.
As opções mudam e de repente eu me torno o Sol, quente e vulgar, numa tarde fria de inverno.
Hoje eu só quero algo que me faça esquecer o que eu me tornei, do que eu pensei, do que eu senti e sempre sentirei, do que eu soube, sei e sempre saberei... que isso tudo irá durar para todo o sempre dentro da minha breve existência!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

'- Sem nome...

Depois de mais um tempo com problemas eletrônicos no meu computador ¬¬’ eu volto pra escrever mais um pouquinho *-*,dessa vez vai ser algo bem básico =]

Espero que apreciem.

Beeijos!


Eu me olhava e não acreditava. Com os olhos vidrados no nada eu sentia o tremor vindo de dentro pra fora.

Os movimentos eram tão reais que pareciam que poderiam ser estancados com apenas um gesto: mas não!

A cada movimento eu soava mais, ficava cada vez mais congelada. Nos primeiros momentos aquilo não me afetava tanto, mas com o passar dos segundos o mundo ao meu redor e ao redor daquilo tudo iam perdendo som, cor, luz e movimentos.

Então olhei pra trás e senti. Senti um calafrio, um toque, um peso e uma lágrima dispersa me socorreram: Você estava ali.

Em meio aquela escuridão que me rodeava eu via o brilho dos teus olhos, seu corpo banhado em um manto explendorosamente branco. Mesmo com aquele breu e as janelas trancadas, um vento forte banhou o recinto e a poeira fez-me fechar os olhos. Abri depois de alguns segundos e você não estava mais lá; havia desaparecido... Porém, eu ainda sentia sua presença.

De repente dois membros percorriam a parte de cima do meu corpo e havia outro peso sobre o meu ombro direito: era você novamente. Mesmo não te vendo fui obrigada a fechar os olhos e sei claramente o seu perfume... Aquele perfume assombroso que sempre me tirava o ar, o mesmo que eu jamais esquecerei.

Uma ância me confundia e ainda banhada pelo perfume que ouvi um sussurro: "Eu estarei aqui, sempre estarei. Eu sempre serei, sempre, sempre serei... sempre."

Com a força de elefantes, meu corpo foi arrastado para traz na cama, que agora era tão quente que eu mal conseguia me recostar. O mesmo peso que recaía sobre meus ombros,agora estava despejado sobre meu corpo inteiro.Sem movimentos eu era apenas uma estátua,um manto vivo sobre a cama quente, e sobre mim agora eu via com os olhos abertos uma luz que me cegava e grandes fios sobre o branco que a cobria.

Agora era real. Apesar da dor que eu sentia com o peso eu não me importava mais...queria sentir aquela explosão pelo meu interior como eu nunca havia sentido antes.Não havia nenhum som e eu sentia algo se mover.Sentia algo forte,seus batimentos que feriam minha pele.

De repente, o sussurro não mais se anunciava. O que sobrava agora era só a sua respiração que me afogava e eu queria mais,mais do que já tinha ou poderia ter.Muito mais de você.


quarta-feira, 1 de julho de 2009

.Reencontro. Final.


Então, algum tempo depois ela conseguiu abrir seus olhos. Estava em um lugar escuro, que ela bem conhecia. Os enfeites que rodeavam a sala eram os de sempre: fotos de amigos, de seus pais, até do estimação que ela tinha a seis anos.

As janelas da cozinha rangiam enfeitando a casa vazia com o barulho que ela ouvira durante aquele final de sono. Do lado de fora se podia ouvir o som da mais forte tempestade durante aquele final de tarde congelante. No resto da casa não havia mais nada, o animal se colocava quieto abaixo da cama do quarto e as gotas se derretiam na janela atrás das cortinas acobreadas. Ela então sentiu suas pernas balançarem de acordo com os sons dos trovões do lado de fora da e um frio tomou conta de toda sua espinha ereta. Durante alguns minutos ela ficou ali, parada, sentada na cama do quarto e se olhando ao espelho. Imaginava todas as cenas que havia passado pela sua cabeça naquele sonho maluco, tão maluco quanto outros que ela tivera em outros sonos assim como aquele. O relógio apontava 19h: 30mn e ela estava paralisada pelo efeito daquele que era o seu desejo maior, tê-lo perto dela pelo menos por mais uma vez. Enquanto pensava nisso, ela se via entregue ao mesmo sentimento que o consumia em seus ocultos pensamentos, uma vontade absoluta e descontrolável de molhar o rosto afoito e já inchado do recente despertar. Instantes depois o animal saiu de sua quietude e se colocou a grunhar diante dos corredores da casa, até chegar diante da porta. Ela assustada então, desceu as escadas lentamente, nem sequer se pôs a acender as luzes, queria que a escuridão lhe fizesse companhia naquele momento.

Em movimentos retos e singulares de seus quadris, ela cruzava a sala lentamente até chegar à porta feita da mesma madeira morta que seu sonho revelava. Enquanto dirigia sua mão direita até a fechadura, outro frio na espinha lhe consumia enquanto os trovões ainda se anunciavam do lado de fora como nunca havia ocorrido anteriormente. Com os pés descalços em cima do tapete azul-celeste e vestida com a camisa de seu time favorito, ela virava a fechadura tão lentamente que parecia que esperava alguma surpresa por detrás daquele portal. Fechou os olhos e em uma só jogada abriu a porta revelando o grande vazio diante dela que era desfeito pelas escadas do prédio, depois de pouco menos de um metro de distância.

Não havia nada. Apenas a chuva corria pelos corredores. De passos em passos então ela começou a se aventurar por aqueles corredores, procurando algo que ela sabia que estava lá, escondido em algum lugar. Parecia que seguia rastros de algum fantasma que estava a rondando por ali, mas não havia nada. Resolveu então voltar para casa e se refugiar novamente em seu casulo.

Diante da escuridão dos corredores ela ia, com passos pequenos, completamente desolada por achar que ele ainda estava ali. Andava de cabeça abaixa olhando seus próprios pés se molharem e seus cabelos pingarem com a água que lhe cobria o corpo, até que chegou ao corredor 3D, onde ao final do mesmo, se encontrava sua caverna pessoal. Fechou seus olhos e continuou seguindo de cabeça abaixa.

Em frente à porta o animal ainda se encontrava ali, mas desta vez mais manso, sentado e confortado. Sem se importar com sua pele encharcada, ela adentrou a casa e se dirigiu diretamente até seu quarto onde poderia ficar em paz, a mesma paz que desejava ter a tanto tempo e que não conseguia alcançar.

Sua mente estava tão vazia que nem percebera que sua casa havia sido invadida. Não percebera as marcas nas fotos, as pegadas que enfeitavam o tapete da sala e muito menos as que cobriam o chão das escadas e dos corredores internos com a mesma água que a cobria. Enquanto passeava pelo corredor até a porta do quarto, também não percebera que nas paredes haviam marcas de dedos e que a luz do quarto estava acesa.

Já em prantos, ao chegar à porta do quarto percebeu que algo havia de errado, sim, ela sabia. Mesmo com toda a água que o cobria podia sentir o perfume de seu amado a metros de distância, e ele estava ali. Sim estava.

Em três mínimos passos adentrou o quarto e lá estava a companhia que ela sempre esperava durante esses 11 meses. Com seus cabelos ensopados, uma camisa preta estampada, calças jeans como ele sempre usava, e um tênis que nunca seria da moda ele estava ali, com seu corpo e olhos respingando esperando o que ela sempre temeu fazer. Em segundos correu de encontro ao corpo que o frio da chuva havia transformado em gelo e aos poucos o calor de seus corações que batiam em ritmo acelerado foi esquentando seus corpos.

O relógio marcava já 20h00, e o animal estava ali, apenas observando a cena no canto esquerdo da porta. A janela não mais declarava os clarões dos trovões e muito menos despejava as lágrimas da chuva diante do vidro. Tudo estava quieto. A luz ainda acesa do quarto dava o enfeite e resplandecia a imagem do encontro dos dois naquele espelho grande e ralo. Seus seios iam de encontro ao tórax dele e seus braços em volta de suas costas e vice versa. Os corações ainda batiam e os corpos e cabelos ainda pingavam formando uma poça de chuva parada envolta dos dois corpos grudados. 20h 32m. Aquela noite seria longa, mais longa do que qualquer dia que passasse pelas vidas daquelas duas pessoas. Elas enfim seriam entregues ao seus mútuos e vantajosos desejos. Sem precisar hesitar, nem falar. Eles apenas viveriam.




terça-feira, 30 de junho de 2009

'- Reencontro .Parte 3.



Ela de repente começou a olhá-lo com uma expressão estarrecedora.

Da mesma forma que se perguntava por que tremia tanto em sua presença, imaginava quanto tempo havia passado desde a última vez que ela o tinha visto, a vez que ele havia deixado a porta de seu apartamento em prantos jurando que nunca mais estaria ali em hipótese alguma.

Ela se lembrava dos olhos profundos que ele demonstrava e de sua língua que se movimentava vagarosamente ao dizer todas as palavras que ela sempre sonhou ouvir de alguém. Imaginava-se no lugar de outras pessoas que ele pudesse ter conhecido após o fatídico dia em que resolveu tomar outro rumo se desvencilhando dos laços que eles haviam criado em tão pouco tempo. Mesmo após todo aquele tempo longe ela ainda se enganava dizendo a si mesma que não podia vê-lo, mas na verdade não queria se juntar as memórias que a faziam chorar todas as noites gélidas, despertando uma saudade que ela nunca pensara que seria possível sentir, despertando uma vontade de gritar o seu nome, uma vontade mais forte do que suas cordas vocais poderiam agüentar em um gemido. Gemido este que lhe lembrava todas as ocasiões em que ele aqueceu o seu coração e seu corpo durante horas e mais horas despertando algo dentro dela que talvez ela nunca mais sentisse por ninguém. Lembrava dele até quando se sentia sozinha em seu quarto imenso olhando os objetos inanimados que tomavam forma instantaneamente em qualquer ocasião e em qualquer data inesperadamente. Lembrava-se também de todas as vezes em que acordava desperta por algum sonho em que a imagem dele estava envolvida, principalmente aqueles em que suas unhas estavam cravadas na carne macia daquele corpo que ela conhecia mais do que ninguém naquele mundo inteiro.

Ela então voltou a si. Voltou á realidade e ainda se via diante daquele garoto alto e não tão forte. Cabelos negros e longos. Olhos castanhos, braços largos e mãos grandes.

Naquele instante não passava nada em sua cabeça. O que ela realmente queria era atravessar aquele portal feito de madeira morta e levá-lo ao centro de tudo, onde tudo o que eles tinham em comum havia começado, mas ela não se movia. Apenas de olhar aquela gota de água salgada correndo por aquele rosto perfeito, o mesmo rosto que se diminuía a cada segundo, ela ficou paralisada.


Durante alguns minutos ele a tinha visto tão perfeita quanto seus sonhos haviam desenhado. Todos os traços, todos os detalhes, tudo o que ele sempre desejou estava bem à frente dele, porém, a única coisa que ele sabia fazer era chorar. Abaixou a cabeça bem lentamente, se recostou na parede fria e verde daquele corredor vazio e sentou ao chão em prantos ao lado das sacolas cheias e brancas da garota. “O que ele fazia ali, ainda mais naquele estado?” Ele se perguntava a cada segundo que passava como um raio por aquele encontro. “O que ele deveria dizer? O que deveria fazer? Como deveria agir?” Ele não sabia nem o mínimo de cada resposta para as perguntas em sua mente, a única coisa que ele sabia fazer era derramar suas lagrimas naquele chão em que os pés dela se deslocavam todos os dias.

De repente ele sentiu a presença dela se aproximando. Sua respiração era tão nítida quanto o perfume que ela exalava. Sentiu o toque macio das mãos dela subindo desde seu cotovelo até suas mãos encharcadas pelas gotas. Ela então abriu seus braços e se infiltrou no escudo em que ele se mantinha durante minutos anteriores. Ele então levantou sua cabeça a repousou lentamente sobre seus ombros com soluços estonteantes e depressivos, ainda com os olhos fechados. Aquele momento era tudo o que ele sonhava desde quando saiu por aquele corredor à quase 12 meses atrás. O momento era tão único e prazeroso que era como se ele nunca tivesse se distanciado dela,como se sentisse o corpo e o calor dela todo este tempo o acompanhando por onde ele fosse. Durante alguns minutos os dois ficaram ali, grudados, como na primeira vez que se tocaram. Ele sentia o coração dela bater tão forte em seu peito que parecia que os dois corações haviam se transformado em um só.

Aos poucos os braços dela iam se distanciando de suas costas quentes e iam tomando conta de seu peito reto. Seus braços estavam ainda em torno das costas dela, ele não queria se desfazer daquilo, e ainda chorava. Ele então sentiu a mão direita dela tocar em seus cabelos lentamente. Nem sequer por um segundo ele se atreveu a abrir seus olhos, queria que tudo aquilo nunca acabasse. Retirou seu peso que ainda estava sobre o ombro dela e os dois ficaram frente a frente, ele, mesmo com os olhos fechados, a via em toda sua beleza total.

Durante algum tempo ela se sentiu viva novamente. Sentiu que aquele era o seu momento. Seus lábios estavam de encontro com os dele e dentro de seu corpo ela sentia um turbilhão de sensações. Suas mãos passeavam entre seus cabelos e ela sentia que era aquilo ou nunca mais. Com seus olhos fechados ela podia até pensar que estava dentro de um buraco negro de sensações estonteantes, as mesmas que sentira em um momento anterior, e ainda se lembrava, a mais ou menos 11 meses atrás.


Durante minutos ela ficou ali, parada, até que em algum momento ela não conseguia sentir mais nada. Não conseguia nem sequer abrir os olhos. Em segundos começou enfim a sentir um peso dentro de seu coração como se algo o tivesse flechado. Barulhos enormes se infiltravam por seus ouvidos, vinham de algum lugar que ela não sabia de onde.

sábado, 27 de junho de 2009

'- Reencontro .Parte 2.


Como dois canhões as mesmas sacolas fizeram um barulho ao tocarem o chão oco do elevador já velho de tantos anos. “Ele continua o mesmo”, pensava sem parar. Seus olhos, ao contrario dos dele, caminhavam como duas aves voando ao redor de todas as linhas delineadas na face dele, parecia uma cena de filme, realmente. Então o pior que ela poderia imaginar aconteceu: dos olhos brilhantes e negros daquele rapaz, uma lágrima se pôs a rolar aflita e silenciosa como ela nunca havia visto.


De repente o elevador fez aquele barulho já conhecido anunciando que a porta se fecharia. Em movimentos lentos as portas foram se estreitando e os dois ainda se encaravam como dois estranhos. Estava quase terminada a seqüência de separação entre os dois quando ele se pôs em um único movimento parando a porta para que a luz não deixasse de revelar aquele rosto que ele tanto esperava ver frente a frente.
Em outro movimento com o outro braço e a perna direita, se deslocou para dentro do elevador fazendo com que ela recuasse e recostasse na parede. Ele sabia que ela estava pensando o pior, então antes de qualquer movimento brusco se colocou de joelhos e recolheu as sacolas sem deixar de fita-la nem por um segundo. Não havia nenhum diálogo, apenas movimentos. Ele, rápido como sempre era, colocou as sacolas cheias do lado de fora, bem á porta do apartamento e recostou-se na parede olhando os movimentos dela que se revelava para fora do cubículo metálico. Em todas as palavras descrentes e óbvias: ele fora rendido. Nunca havia pensado em se ver naquela situação. O corredor vazio ecoava o barulho dos saltos brancos listrados que ela estava vestindo. “Lindos e combinam com você.” ele disse, ou melhor, gostaria de ter dito. “Obrigada.” ele a imaginava, com aquela voz doce respondendo ao chamado dele. Ela também não havia mudado em nada. Seu corte de cabelo estava renovado: sim, ele percebera. Ela estava mais alta, talvez pelo salto, não se sabe ao certo, ou então pelo único fato de ela ser agora outra pessoa, de aparência um pouco mais madura, com outras responsabilidades que a forçavam ser daquele jeito, mais isso não o incomodava, definitivamente não, pelo contrario, ele aprovava. Aprovava e se apavorava. De repente tudo vinha á tona novamente, seu peito doía como nunca mais havia sentido, a última vez ele se lembrava muito bem como havia sido, ele ali, afogado em lágrimas vendo-a partir dentro do ultimo partido da noite. Desde então o mesmo partido, a mesma hora e o mesmo itinerário lhe trazia sempre alguma lembrança tola que ele não conseguia conter. Lembrando ainda dos momentos, chegava a sentir culpa das ocasiões que citava o nome dela nas conversas com amigos..não,não culpa por arrependimento,e sim culpa por não ter coragem de parar de falar nela, tomar coragem para que todas as lembranças fossem extintas...mas no fundo no fundo ele sabia que ainda as queria vivas e ardentes, ardentes como todos os momentos e beijos que eles compartilharam ao longo de todo o tempo, ardente como ele se encontrava agora, ardendo em chamas por dentro apenas por desejar tocá-la, poderia ser um beijo daqueles ( que ele sabia que nunca mais se repetiria) ou então um abraço mesmo que falso. Então, toda a coragem que ele desejava ter estava explícita naquele exato momento, naquele encontro, naquela cena. Só de estar ali, ao lado dela, mesmo que sem imaginar como aconteceria já era uma grande demonstração de coragem. Mais ele desejava ter mais, mais coragem para questionar os sentimentos daquela garota tão fervorosa e viva. Daquela que por muito tempo fora sua. Daquela que por fins compartilhou mentiras e verdades dignas de esporádicas atitudes banais que ele não teve a mesma coragem de fazer verdades naquele tempo... e ele ainda desejava ter se arrependido por tudo isso. Desejava questionar se às vezes ela desejava vê-lo, se desejava tornar toda aquela dor que ele esperava que ela também sentisse inexistente, queria questionar o que havia restado dentro dela de todos os momentos ciumentos que eles haviam criado em seus subconscientes durante muito tempo, queria questionar de toda a vida que pela parte dele era repleta de momentos como os de todos os casais normais, mais além de tudo isso desejava questionar a si mesmo o porquê de todas essas lembranças que embaralhavam sua mente em todas as conversas, sonhos, desejos e pesadelos.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

'- Reencontro .Parte 1.




O encontro de corpos era inevitável. Ele a sentia tão próxima, ao alcance de menos de um centímetro da sua aura, e ele pensava em se arrepender de ter ido até a porta e em um súbito virar as costas e voltar. Pensava em tirar da cabeça a música que o fazia lembrar todas as ocasiões.Em desistir de pensar em tê-la de volta.Em tentar parar de sentir o coração dela batendo dentro dele a toda hora.Pensava em tanta coisa mais só conseguia ter uma única ação: olhar as pérolas na face de sua amada.

Ele paralisou; congelou. Não sabia se aquilo era um sonho, depois de tanto tempo adormecido. A única coisa que ele sabia é que a desejava. Desejava tanto que todas as noites eram curtas pra ele, o sol nascia devagar e a lua tomava conta sempre das suas manhãs e noites.

Ele não compreendia ao certo. Não sabia qual o propósito de ter acontecido aquilo ali, logo ali, onde ele jurou que nunca mais colocaria os pés lisos e cansados das cavalgadas diurnas e noturnas.

Tremia. Gaguejava, alias, nem um único som sequer foi despejado pela sua língua afiada que fora afetada por desejos insolentes a tanto tempo.

Em segundos toda uma trajetória lhe passou pelos olhos: o chuveiro nas noites frias, as lágrimas, as paisagens nas tardes de Outono, as lágrimas, os caminhos percorridos, as risadas, as lágrimas, os abraços nas noites quentes, a cama, as lágrimas, as músicas, os diversos pensamentos, as lágrimas.

Pensando bem era tudo questão de tempo até que ele percebesse a realidade do que estava fazendo e saísse correndo em direção ao nada, ou então a abraçaria, ou até mesmo se ajoelharia.Mas de primeiro momento o que ocorreu foi uma lágrima.

Ele estava perdido, completamente perdido em si mesmo...

Ela não queria vê-lo, já havia dito milhões de vezes, sussurrava. Estava pasma, depois de 11 meses, 27 dias, 2 horas,33 minutos e 59 segundos contados em seu cronômetro pessoal sua sacola havia desabado após o choque.Ela o observava a 90 graus, do outro lado da avenida. De súbito também se assustou, pensou em correr, mas não, ela não podia...então em milésimos se viu plantada atrás da árvore Laranjeira.

Do que estava com medo?Porque se escondia?Tremia, respirava ofegante, “Do que se tratava?”.“Eu não sei” respondeu a si mesma pálida como uma gota de orvalho.

De repente o viu seguindo.De passos em passos ele chegava até o final da denominada Rua Vitória.Ela resolveu então partir, correr antes de encontrá-lo, mas as circunstâncias não eram tão favoráveis assim...ele voltava, ofegante com seus braços em movimento.

Em pensamentos ela achava que ele não estava ali por ela, mas sim pelo amigo que morava lá, que infelizmente era seu vizinho de 3° andar. O viu entrar pela guarita e desaparecer em meio aos corredores do conjunto. “Essa é minha chance”.

Ainda trêmula tentava se equilibrar com as sacolas. Não tão tranqüila, foi pela rua até a porta do prédio. Com um sorriso falso cumprimentou o cúmplice diário e seguiu sem nenhuma reação.

O elevador parou, tentara subir pela escada mais o desequilíbrio não facilitava em nada, mesmo que fossem apenas três andares e sua casa fosse à frente ao elevador. De cabeça baixa ela rezava para que ele buscasse outro caminho, “pular a janela não seria uma má idéia”, ela pensava lembrando-se do sorriso doce do nobre rapaz, de todas as brincadeiras e momentos felizes que ela já pensava ter esquecido, e no mesmo momento se pôs a fitar seus próprios pés pequenos como se estivesse flutuando... novamente.

A porta se abriu. Ela, ainda rezando em pensamento, levantou a cabeça num flash e lá estava ele, de cara para o elevador que a trazia tão depressa!

terça-feira, 23 de junho de 2009

'- Controvérsias


E com um último suspiro tudo ficou mais silencioso do que de costume.Diante de algum tempo uma alma ficou perdida entre chamas,das quais não poderia mais escapar,enquanto a outra se afogava em meio as suas próprias lamentações.Assim como o céu e a terra,duas almas e dois mundos que se encontravam naquele momento perdidos em uma caixa,estavam completamente divididos e sem destino.
Diante do muro que as dividia,se encontravam apenas roupas e sapatos jogados pelo ambiente,lençóis brancos e bagunçados sobre a cama e os vestígios do que talvez tenha cido não menos do que outra aventura qualquer.
Dentro da cabeça dela,um turbilhão de palavras se destinava a lugar algum,porém o que ela realmente desejava era que todas as mesmas palavras saíssem sem controle por sua língua ríspida e chegassem até os ouvidos dele,que por sua vez,apenas ouviria atento e sem nenhuma outra reação maior.Entretanto,dentro da cabeça dele,haviam sentimentos não superados,angústias nao resolvidas e sensações que ele não poderia controlar por muito tempo;talvez por saber que tudo o que ele vivera até ali não faria sentido algum em algum momento de sua vida.
Ele então a abraçou.Por muitos instantes sentiu o corpo,a pele ainda morna e os batimentos da garota ferindo seu peito insistentemente.Calado,a cada segundo ele desejava que o tempo derramasse lágrimas sobre aquele momento para que nunca mais os dois corpos se separassem,para que como tempo os dois corpos se misturassem e tornassem apenas um.Ela então o apertou forte.Sentia que ele precisava daquilo naquele momento,precisava de um contato não tão corporal quanto o que eles haviam acabado de proferir,mas sim sentimental,algo que criasse laços sobre suas vidas e almas tão distintas.
Após um longo tempo seus corpos se separaram molhados e a distancia que havia entre eles foi preechida com um aperto de mão delicado e um olhar profundo de ambas as partes.Um olhar que em ambos despertava um desejo de descoberta sobre as diferentes histórias das duas vidas,todos os seus sofrimentos e alegrias,lágrimas e sorrisos declarados insanamente ou até mesmo por vibrações interiores.
Ela,sem dizer uma palavra sobre a cena,num súbito abaixou a cabeça,deixando seus cabelos lisos e negros lhe cobrirem os olhos que esbanjavam uma felicidade infinita.Ao levantar,o encontrou ainda fitando sua face na mesma posição anterior,porém com uma lágrima que brotava de seus olhos cor de amêndoas que sempre a fascinaram.
Ele,que se encontrava paralisado com tanta beleza e delicadeza da garota,já havia percebido que ela o encarava sem nenhum pudor,então,resolveu declarar seus pensamentos.
Ela,completamente calada,ouvia sem nenhum gesto a tudo o que ele lhe dizia,e era realmente o que ela gostaria de fazer momentos antes.O aperto de mão foi ficando mais forte,as lagrimas se tornaram mais contantes naquele rosto que fora barbeado tão delicadamente e ele perdia a cabeça dizendo tudo o que havia para dizer.
De repente ela se via presa em uma teia feita daquilo que ela mesmo havia criado tempos atrás.Não sabia o que fazer muito menos o que dizer,e nesse momento só lhe passava pela cabeça que se talvez ela tivesse tido a mesma iniciativa a reação dele talvez seria a mesma,então,ela sorriu singelamente e lhe disse com outro forte abraço e um suspiro de alívio "Está tudo bem,eu estou aqui com você.".
Depois daquele gesto ele se sentia ainda mais perto dela,e com aquele último abraço banhado ao sol daquela manhã sabia que agora eles eram apenas um.
Uma única alma.Uma única pessoa.Uma única esperança.Uma única história.Um único presente cujo o tempo jamais deixaria se desfazer.
Mais uma vez eles se entregaram a um momento dentre os lençóis já tão bagunçados,mas eles não se imortavam,seria o momento que pertenceria a eles por muitos outros instantes daquele dia.Dentro daquela caixa com umaúnica janela com cortinas tão brancas como os lençóis,ninguém nunca saberia o que havia ocorrido entre aquelas duas pessoas tão diferentes.O tempo passaria e aqueles beijos ofegantes,os sussurros silenciosos e as roupas espalhadas ficariam apenas nas lembranças daquelas duas almas puramente corrompidas que jamais se separariam,mesmo tendo vidas,histórias e desejos tão diferentes.

sábado, 20 de junho de 2009

'- Tentativas

Bem meus caros e minhas caras rs,após ter ficado um tempo longe deste palco,agora eu volto com mais palavras xDD...não vou me prolongar muito pq a minha vontade de escrever é bem mais forte do que a de esperar então vamos á elas..desfrutem =].




.12h:42m.

Eu queria ficar ali,só.Ali parada,olhando o nada.Olhando as sombras negras.Negras e transparentes.Olhando elas se moverem pelo caminho vermelho que se estendia diante delas.
Eu queria esperar.Esperar uma sombra de luz iluminar aquele caminho tão obscuro;embora tão cheio de uma única e errante cor.
Ao mesmo tempo que meus olhos se concentravam nos vestigios do que era para ser um dia ensolarado,minha mente estava ali bem próxima,em um lugar coberto...não tão seguro pra mim, porém estava lá.
Mesmo estando estagnada eu viajava.Viajava dentre lembranças,atos,datas,dias,palavras,gestos...simplesmente viajava.Viajava entre tudo o que eu julgava no mínimo importante para que eu enlouquecesse a cada dia,para que eu entregasse.
Aquele teto perigoso era o que eu mais temia,mesmo com meu corpo ainda ali,com movimentos curtos diante de um papel.
Todas aquelas luzes,aquela cor que não era mais única,os movimentos impessoais e imparciais confundiam ainda mais a minha mente.
Diante de meus olhos o túnel já tinha se corrompido mais de 5 vezes despejando luzes amarelas em meus olhos cansados,a hora passava e eu não me importava embora devesse,e muito.Seria mais um dia que eu desintegraria minhas prioridades no tempo,embora também não o devesse fazer.
Em frente a mim um enorme vazio completava a cena...o banco do local havia se tranformado numa cabine de confissões que eu me lembraria para todo o sempre..."tudo havia voltado ao seu lugar" e eu nunca pensaria que demoraria tanto tempo.De repente minhas mãos já estavam manchadas de palavras e meus olhos mais cansados e repletos de tinta e água salgada...a mesma que não se manifestava mais em frente ao nada que me rodeava.
Meus pés queriam se mover para aquele tal lugar que eu abominava,porém minha mente bloqueava todos os movimentos que julgava completamente insanos: nada que eu realmente desejasse seria feito.Mas será que aquilo estava realmente correto?Até porque,as vontades humanas não deveriam ser respeitadas até o seu limite?Mesmo com este pensamento eu ainda não faria nada,embora o ritmo dos meus batimentos me dessem a resposta oposta em um ritmo mais que acelerado;acelerado como nas manhãs em que minha mente me enganava ao perceber que eu acordava ofegante.
O tempo já havia passado novamente e nada que eu fizesse me movia daquele espaço mínimo.Enquanto isso,meu corpo estava frio,um pouco mais frio do que a temperatura do lado de fora de meu antro corporal.Dentro de mim haviam diversos sentimentos,cujos mesmos se embaralhavam com o tempo que eu havia gasto ali..e que eu havia decidido não mais perder.
Fora daquele lugar minúsculo eu via vidas.Vidas que talvez como a minha estivessem cido desperdiçadas,ou não.
Eu já havia tomado tantas decisões,porém nenhuma me afetara do modo que tinha de ser realmente.Eu tinha me tocado,finalmente havia chegado a conclusão final do que a música queria tanto me dizer durante tanto tempo,durante toda a minha vida.Eu me perguntava:Onde eu estava realmente?O que eu havia feito com o meu eu?Minha coragem,minha destreza,minha confiança?Toda aquela vontade intima de correr riscos?Do lado de fora,como todas as outras imagens que passavam como um flash,o meu verdadeiro objetivo se foi com o vento novamente,porém eu gostaria de estar lá.Estar lá,porém não no mesmo lugar,mas no lugar onde eu havia deixado todos os meus sonhos,meus anseios...queria estar no lugar que não seria seguro...queria estar onde o fantasma que eu tanto desejava encontrar e destruir estava solto sem nenhum pudor,queria estar junto de mim mesma..junto do meu eu.

.15h:47m.