"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim." (Chico Xavier)

sábado, 27 de junho de 2009

'- Reencontro .Parte 2.


Como dois canhões as mesmas sacolas fizeram um barulho ao tocarem o chão oco do elevador já velho de tantos anos. “Ele continua o mesmo”, pensava sem parar. Seus olhos, ao contrario dos dele, caminhavam como duas aves voando ao redor de todas as linhas delineadas na face dele, parecia uma cena de filme, realmente. Então o pior que ela poderia imaginar aconteceu: dos olhos brilhantes e negros daquele rapaz, uma lágrima se pôs a rolar aflita e silenciosa como ela nunca havia visto.


De repente o elevador fez aquele barulho já conhecido anunciando que a porta se fecharia. Em movimentos lentos as portas foram se estreitando e os dois ainda se encaravam como dois estranhos. Estava quase terminada a seqüência de separação entre os dois quando ele se pôs em um único movimento parando a porta para que a luz não deixasse de revelar aquele rosto que ele tanto esperava ver frente a frente.
Em outro movimento com o outro braço e a perna direita, se deslocou para dentro do elevador fazendo com que ela recuasse e recostasse na parede. Ele sabia que ela estava pensando o pior, então antes de qualquer movimento brusco se colocou de joelhos e recolheu as sacolas sem deixar de fita-la nem por um segundo. Não havia nenhum diálogo, apenas movimentos. Ele, rápido como sempre era, colocou as sacolas cheias do lado de fora, bem á porta do apartamento e recostou-se na parede olhando os movimentos dela que se revelava para fora do cubículo metálico. Em todas as palavras descrentes e óbvias: ele fora rendido. Nunca havia pensado em se ver naquela situação. O corredor vazio ecoava o barulho dos saltos brancos listrados que ela estava vestindo. “Lindos e combinam com você.” ele disse, ou melhor, gostaria de ter dito. “Obrigada.” ele a imaginava, com aquela voz doce respondendo ao chamado dele. Ela também não havia mudado em nada. Seu corte de cabelo estava renovado: sim, ele percebera. Ela estava mais alta, talvez pelo salto, não se sabe ao certo, ou então pelo único fato de ela ser agora outra pessoa, de aparência um pouco mais madura, com outras responsabilidades que a forçavam ser daquele jeito, mais isso não o incomodava, definitivamente não, pelo contrario, ele aprovava. Aprovava e se apavorava. De repente tudo vinha á tona novamente, seu peito doía como nunca mais havia sentido, a última vez ele se lembrava muito bem como havia sido, ele ali, afogado em lágrimas vendo-a partir dentro do ultimo partido da noite. Desde então o mesmo partido, a mesma hora e o mesmo itinerário lhe trazia sempre alguma lembrança tola que ele não conseguia conter. Lembrando ainda dos momentos, chegava a sentir culpa das ocasiões que citava o nome dela nas conversas com amigos..não,não culpa por arrependimento,e sim culpa por não ter coragem de parar de falar nela, tomar coragem para que todas as lembranças fossem extintas...mas no fundo no fundo ele sabia que ainda as queria vivas e ardentes, ardentes como todos os momentos e beijos que eles compartilharam ao longo de todo o tempo, ardente como ele se encontrava agora, ardendo em chamas por dentro apenas por desejar tocá-la, poderia ser um beijo daqueles ( que ele sabia que nunca mais se repetiria) ou então um abraço mesmo que falso. Então, toda a coragem que ele desejava ter estava explícita naquele exato momento, naquele encontro, naquela cena. Só de estar ali, ao lado dela, mesmo que sem imaginar como aconteceria já era uma grande demonstração de coragem. Mais ele desejava ter mais, mais coragem para questionar os sentimentos daquela garota tão fervorosa e viva. Daquela que por muito tempo fora sua. Daquela que por fins compartilhou mentiras e verdades dignas de esporádicas atitudes banais que ele não teve a mesma coragem de fazer verdades naquele tempo... e ele ainda desejava ter se arrependido por tudo isso. Desejava questionar se às vezes ela desejava vê-lo, se desejava tornar toda aquela dor que ele esperava que ela também sentisse inexistente, queria questionar o que havia restado dentro dela de todos os momentos ciumentos que eles haviam criado em seus subconscientes durante muito tempo, queria questionar de toda a vida que pela parte dele era repleta de momentos como os de todos os casais normais, mais além de tudo isso desejava questionar a si mesmo o porquê de todas essas lembranças que embaralhavam sua mente em todas as conversas, sonhos, desejos e pesadelos.

2 comentários:

Anônimo disse...

Uau! Amei seu blog tbm!
Vc escreve com uma sutileza e ao msm tempo de forma q deixa marcas... Isso eh raro em quem escreve. Soh msm quem tem o dom consegue isso.
Nunk pensou em escrever um livro naum? Se naum pensou, tah na hora de amadurecer a ideia...
Bjos e jah ganhou naum soh um seguidor, mas um admirador. ^^

Äмbзr Gïrℓ ⅞ disse...

momentos vão e voltam... lembranças fazem um unico momento ser revivido várias vezes mesmo.

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