"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim." (Chico Xavier)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

'- Destino...

Ali naquele pedaço de papel, todos os seus sonhos de vida, todas as suas conquistas, seu amor, tudo havia se tornado vento. Já haviam se passado 45 dias e ele ainda não havia se acostumado.

Acordava todos os dias às 7 horas pontualmente.

Despertava com o relógio do celular e abria os olhos com o mesmo pensamento: Hoje será um dia cheio. Tomava seu banho em silêncio, não gostaria de ser incomodado, eram seus 15 minutos sagrados de tantos anos.

Saía lentamente e completamente nú sentava na cama de cabeça abaixa, deixava seus cabelos pingarem no tapete que fazia a decoração daquele único espaço no imenso quarto.

Depois de vestido descia as escadas...já atrasado, arrumando a gravata e com as chaves do carro na mão,não tomaria mais café.

Durante 40 minutos enfrentava o congestionamento da imensa Metrópole que o rodeava. Mais algum tempo que não poderia ser desperdiçado. Á algum tempo havia ouvido uma música que o despertava algo que ele não sabia explicar, mais adorava, desde então a ouvia todos os dias, repetidas e repetidas vezes, sem se cansar.

Chegava ao escritório, sentava em sua cadeira de Vice-Presidente, olhava os papéis em cima da mesa e não se movia.

45 Dias. 45 dias em que ele se sentava e em segundos se levantava novamente e olhava a janela: naquela vista apenas prédios, nenhum sinal de não urbanização, o que o sufocava cada dia mais, mas nesse dia ele decidiu fazer algo de diferente, tomou a iniciativa que nunca havia tomado anteriormente.

Saiu da sala com suas chaves barulhentas, passou pela secretária que falou algumas palavras sem que ele nem sequer tenha notado, e saiu pela porta de vidro. Desceu o elevador apenas olhando os números decrescentes, com muita atenção: 25 andares. Já sabia aonde iria.

As 10 da manhã, ainda escutando a mesma música, ele estava na estrada, indo para algum lugar que ele ainda não sabia. Já estava sem gravata, camiseta já para o lado de fora da calça e dirigindo descalço: se sentia bem assim.

Enquanto dirigia a 95 Km/h, com o Sol banhando seu rosto, ele tinha na mente uma voz delicada, uma voz de alguém que ele não esqueceria jamais. Neste momento uma lágrima caiu de seus olhos, olhou para o retrovisor e se viu a derramar muitas lágrimas mais.

Alguns minutos depois ele havia chegado ao seu destino: lugar nenhum. Saiu do carro, tirou a camisa e foi em direção ao nada. O que ele via era apenas o sol ainda em seu rosto, deixando bem claras suas expressões fatídicas de alguém que já havia sofrido muito, porém não tinha se dado conta.

Ajoelhou-se e rezou. Pediu a Deus, ao qual ele sempre disse que não levava muita fé, para abençoá-lo e salvá-lo de todos os seus pecados.

No bolso da calça ainda existia o papel com as letras de sua amada..."EU TE AMO" era o que dizia.

Ainda se lembrava de quando encontrara o papel nas mãos dela no chão da sala as 14horas e 43 minutos a 45 dias atrás.

Alguns minutos se passaram e ele ainda estava ali, deitado ao chão de uma praia que ele nunca havia visitado; a mesma que era o sonho de alguém especial para ele. A água e a maré lentamente subiam até seus pés quentes, porém imóveis. O papel não mais estava em suas mãos, e sim ao vento, como se outro alguém o estivesse segurando. Aos poucos o vento que o levava foi tomando outras proporções e o levaram até auto-mar, aonde não pode mais ser visto, sentido, onde ele não mais existiria.

3 comentários:

llola disse...

ola moço cm esta, tudo em paz aqui né?
Então viva passando para deixar um salve pro senhor e um presentinho nos meus selos beijos

Anônimo disse...

Q texto lindo e triste. Nem sempre eh facil conviver com a perda de um amor, o fim de um relacionamento, eh como um luto. Posso dzer isso pq passei pelas duas experiencias e posso afirmar, eh pratikmente a msm coisa, a dor da perda, a solidaum, a desesperanca de um recomeco.

Aмbзr Girℓ ⅞ disse...

achei este texto lindo, comovente e de um final que nos deixa a par do medo, da solidão de ficar só, de não mais akele abraço.

amei.

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