"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim." (Chico Xavier)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

'- Infidelidade



E ela chegou à conclusão drástica: não se conhecia mais.

Os holofotes brilhavam tanto que ela derretia em meio aos próprios pensamentos em segundos, sem nem mesmo saber por onde escoaria o oceano que ela estava prestes a se transformar!Aos poucos ela agonizava e sua vida se estendia diante dos seus minutos finais...

Pensando bem, não era assim tão cheio de verdades muito menos de instruções...

Ela estava ali: cinzenta, cega e apaixonada, sim, pela sombra de um desejo impetuoso somente.

Ela sabia: se encontrava em um estado de transe que tão cedo não iria se libertar, que conseqüentemente ainda não se libertou por achar apenas que não é capaz de fazer o bastante pra isso acontecer.

No fundo ela sabia também o que sentia, apesar de estar perdida sabia o que era o medo, o que o mesmo lhe causava e como ele a consumia!

Ela somente observava, fingia e até assistia de camarote as mentiras que ela mesma estipulava segundos antes de suas ações pouco metódicas; porém, desejava não estar mais ali, desejava que todo aquele redemoinho se concretizasse e se dissipasse mais isso nunca aconteceria, disso ela também sabia!Sabia, e sentia... ela apenas havia se cansado daquele jogo todo..o jogo da vida!

O tempo foi passando, as garrafas acumulando, os cinzeiros se enfeitando com o mais puro hálito de mediocridade... a porta nunca se abria, a campainha com um barulho estrondoso e irritante nunca tocava e o vento suave que levaria toda a sua tristeza nunca soprava! Ela se isolara em um mundo irreal, se modificava aos poucos como um inseto em transição, calmo, lúcido, mas ela só queria sair dali seca, sozinha!

Naquele tempo ela achava que tinha a chave nas mãos, que a tal porta se abriria a qualquer momento deixando a passagem aberta, e ao mesmo tempo ela deixaria seu leito e iria para o mundo real, mas quanto mais ela desejava mais a porta se afastava a cada passo que ela dava... até que ela se cansou de andar, queria se mobilizar completamente, ser uma estátua de gelo, uma escultura paralisada aonde os apreciadores iriam apenas mostrar seus rostos de espanto ao fitarem sua face, enquanto ela os fitaria em revolta sem ação!

A tal revolta, o espanto, os dias e noites inexistentes de alguma forma não faziam mais sentido pra ela naquele momento de insanidade...ela não sabia no que acreditar!Tudo o que ela já havia aprendido não se igualava a nada daqueles momentos...ela havia sim,se viciado em uma droga que ela pensava até o presente momento que nunca a afetaria...tanto!Decidiu então desistir, buscar dentro de si mesma a força que necessitava insistente e urgentemente para dizer a própria alma que estava correta e que não precisava ter medo, que era só admitir tudo o que o mundo a obrigava a encarar e isso é o que a libertaria, que seria assim que ela realmente teria a chave que precisava para se libertar dos pesadelos e demônios que a rondavam inquietos, os mesmo que ela mesma havia criado!

Por fim, o filme havia acabado.

O “final feliz” pelo menos pra ela não existiria nunca e ela tinha aprendido a se conformar, em saber o que aconteceria dali pra frente: absolutamente nada, nada do que ela havia sonhado daria continuidade ao desejo que ela criou mesmo não planejando, mesmo não querendo.E ela se perdera novamente em pensamentos...sólidos, crus, vermelhos e infiéis!

Um comentário:

Äмbзr Gïrℓ ⅞ disse...

amei o texto. só posso dizer o qnto você fez uma descrição belíssima para algo de partir o coração.

muito bom. parabéns.